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Lageosa da Raia No interior da Cordilheira Central Ibérica, nas terras de Riba-Coa, los pueblos raianos , gente honrada e valente, dispersos pelo mundo, mas unidos na celebração de uma paixão ancestral, mantendo bem vivos os ritmos vitais das terras selvagens e puras que os viu nascer.
A Lageosa é um local habitado desde os tempos pré-históricos, confirman-no alguns achados, sobretudo os machados do museu da Guarda. Contudo, só a partir da Idade Média, depois da reconquista cristã, é que uma população residente efectiva se tende a desevolver. Existem alguns vestigios arquitectónicos fragmentados e dispersos, outros integrados em construções posteriores, que pelas suas caracteristicas, levam a querer que aqui existiu alguma arquitectura erudita. Também em tempos existiu uma antiga igreja que, pelo cinzelado das pedras, demonstram um trabalho refinado. Muitas destas pedras encontram-se hoje integradas em muitas das casas da aldeia, e outras foram guardadas por pessoas mais sensibilizadas que desta forma evitaram a sua perda e retardam a erosão. Uma das pedras, que observei, tem esculpido um símbolo e alguma escrita mas, pelo desgaste e estado de erosão, é impossível de saber ao certo o seu conteúdo e extrair daí conclusões com um mínimo de coerência científica. Certo é que, a partir do séc. XVI, se encontra neste espaço uma comunidade permanente que, de forma contínua, vai criar a aldeia que hoje existe. A população vive sobretudo da agricultura, da pecuária e do pequeno comércio. De certo modo, para além do trabalho campestre, a proximidade de Espanha permitiu um comércio com as comunidades do outro lado da fronteira que constituiu uma mais valia económica. Na década de cinquenta do séc. XX a população da Lageosa rondava os mil habitantes. Por essa altura, já se verificavam alguns movimentos migratórios, sobretudo de famílias mais abastadas, e com formação escolar, que procuravam trabalhos na administração pública nos centros urbanos. Mas, os anos sessenta, vão ser terríveis para a freguesia já que a maioria dos seus habitantes começam a emigrar, sobretudo para França e Alemanha, e a aldeia vê decrescer o número de habitantes e o envelhecimento da população, e consequentemente a taxa de natalidade sofre uma quebra sendo hoje praticamente nula.
A emigração acaba por ser o elemento transformador da freguesia. Os emigrantes, partindo com saudades da terra, tinham em mente um retorno, que muitos julgavam ser mais rápido do que aquilo que se veio a verificar. Contudo, a maioria construiu a sua habitação para passar as férias de Agosto, ritual que anualmente era ansiosamente esperado, mantendo vivas as tradições e as suas festas que em cada ano vinham celebrar. Actualmente muitos dos habitantes são emigrantes que finalmente viram o sonho do regresso concretizado, e vieram assim substituir os lavradores que deixaram ao partir para terras distantes e que hoje na sua maioria já faleceram. A população actual da Lageosa anda pelas quatro centenas de habitantes, segundo fontes camarárias.
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