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Actualizado em: 16.02.2009 11:37

 

 

CONCURSO "OH FORCÃO RAPAZES"

 

Remonta ao ano de 1986, a criação do Concurso “Oh Forcão Rapazes” entre as Aldeias da Raia do Concelho de Sabugal, iniciando-se assim, esta grande manifestação da Capeia Arraiana, onde a arte de bem “esperar” os touros ao Forcão, vem dando origem a espectaculares Capeias, numa demonstração de valentia e saber dos rapazes da Raia.

O Concurso nasceu inspirado na tradição antiga e única no Mundo, que é a “espera” de touros com o tradicional Forcão, instrumento característico da Raia.

Foram responsáveis por esta iniciativa a Associação Recreativa e Cultural dos Forcalhos e Associação dos Amigos de Aldeia da Ponte, sendo organizadores directos do primeiro Concurso.

Neste primeiro ano, a Organização convidou a participar as Aldeias do Concelho em que o Forcão tem maiores tradições, podendo este princípio ser, eventualmente, alterado no futuro.

Assim, estiveram presentes as seguintes Freguesias convidadas: Aldeia de Bispo, Aldeia da Ponte, Aldeia Velha, Alfaiates, Foios, Forcalhos, Lageosa e Soito, por ordem alfabética, sendo consideradas as Fundadoras do primeiro Concurso.

Os elementos da Comissão Organizadora, Zé Beira Manso e Zé Gusmão dos Forcalhos, juntamente com o Tó Chorão de Aldeia da Ponte, elaboraram um conjunto de normas escritas, denominado Regulamento do Concurso “OH FORCÃO RAPAZES”, onde cada equipa “espera” o seu touro, com a votação a ser atribuída por um Júri constituído pelos 8 Presidentes de Junta das Freguesias participantes, declarando-se vencedora a equipa que averbasse mais pontos.

A Praça de Touros de Aldeia da Ponte, palco deste magnifico Concurso, acolheu ao longo destes anos todos os apaniguados das Aldeias, num espectáculo de cor, apoio e incitamento às suas equipas, tornando esta Capeia num momento único, que já conquistou o seu espaço, ganhando, com todo o mérito, o seu lugar nas festividades de Verão.

Todos os anos, por altura de 20 de Agosto, mais dia menos dia, com a Praça de Touros a regurgitar de gente, composta por uma assistência vibrante e colorida, a rapaziada da Raia demonstra a sua raça, “esperando” ao Forcão, imponentes e corpulentos touros na arena, seguindo-se a sua lide, com um limite de 15 minutos para cada equipa.

Trata-se de um Concurso, onde a valentia do touro, acrescido de alguma fortuna à mistura, é por demais determinante, independentemente da valia dos rapazes, pois os touros, bem como a ordem de entrada na Praça, para a “Espera” e lide, são sorteados na presença da entidade oficial, neste caso, a GNR.

Antes do início da Capeia, tem lugar o espectacular desfile de cada equipa, numa entrada, também ela imponente, marcada ao ritmo do rufar dos tambores, sendo ruidosamente aplaudida e apoiada pelos naturais de cada Freguesia, alinhando as equipas no centro da Praça, lado a lado, escutando as palavras de circunstância e estimulo, proferidas pela entidade oficial convidada, normalmente, o Sr. Presidente da Câmara de Sabugal, representante máximo do Concelho. Terminado o discurso oficial de abertura do Concurso, as equipas desfilam da Praça para a trincheira, por ordem de entrada, onde aguardarão, calmamente, a sua vez, medindo forças com o touro, que lhes calhou em sorte.

Esta soberba organização, em pleno Verão, contribui para uma divulgação da Capeia Arraiana, espectáculo único no Mundo, característico da Raia, que arrasta cada vez mais visitantes, anos a fio, onde a forte presença de emigrantes, marca um peso considerável, assistindo a esta Capeia das Aldeias.

Sucintamente, fica retractada uma primeira introdução, à génese do Concurso “Oh! Forcão, Rapazes”, embora tenha sofrido algumas alterações, ao longo dos anos, sendo denominado actualmente “Festival Oh Forcão Rapazes”, a que nos reportaremos, em breve.

Esteves Carreirinha

 

FESTIVAL “OH FORCÃO RAPAZES ”

 

Feita a introdução à origem do Concurso “Oh Forcão Rapazes”, retomamos o tema, já com o nome de Festival, mais consentâneo, com o que se vem passando, há largos anos a esta parte.

Como é sabido, a organização e responsabilidade deste evento é de todas as povoações participantes, sendo que, cada ano, a organização directa do Festival recai em duas delas, num sistema de rotação entre as mesmas.

Como modelo de Concurso, assistia-se a uma competição entre as equipas, aguerrida e firme, com a valentia do touro, que calhasse em sorteio, a ser preponderante a uma vitória, votada pelos Presidentes de cada Junta de Freguesia.

Entretanto, anos houve, em que algumas Freguesias não participaram no Concurso, entre as quais, Alfaiates, Foios, Forcalhos e Lageosa, retornando depois, estas três últimas ao Concurso, verificando-se apenas a substituição da equipa de Alfaiates pelo Ozendo, figurino que se tem mantido há vários anos. Em 2006, deu-se o regresso de Alfaiates, aumentando-se assim, o número de participantes para nove equipas.

No que tocava a Prémios e, como de Concurso se tratava, eram de importância maior, consoante a classificação alcançada, depois da votação, no final do evento. Todas as equipas sempre foram merecedoras de um prémio, para além da divisão dos lucros gerados pelo Festival, em favor das respectivas Freguesias participantes.

No sentido de tornar esta realização mais justa e abrangente e, depois de algum consenso entre as equipas, decidiu-se que esta Capeia passasse a ser um “Festival Oh Forcão Rapazes”, deixando cair as classificações, onde os prémios são iguais para todas as equipas, sem deixar de corresponder a todas as expectativas, que levou à sua criação, antes alcançando, cada ano que passa, maior importância com uma vibração espectacular, acrescido de magnificas enchentes, sobrelotando por completo a Praça de Touros de Aldeia da Ponte. Em 2005 teve lugar, pela primeira vez, este Festival das Aldeias na Praça de Touros do Soito.

No fundo, já há largos anos, que não há vencedores nem vencidos, todos são vencedores, principalmente a Capeia e a Raia.

Um espectáculo como este, gera sempre uma paixão enorme, quer seja na arena, quer seja nas bancadas, quer em termos de opiniões de todos quantos são intervenientes directos, isto é, a rapaziada que pega ao Forcão.

Estão neste caso, tentativas de mudança de algumas regras estabelecidas, como seja a lide do touro, ser para todas as equipas, a seguir à “Espera ao Forcão”. Além de se tornar perigoso, pois indicia um número exagerado de rapazes dentro da Praça, tropeçando uns nos outros, se por hipótese, todos entrassem na praça, seriam 240 a lidar o touro, que pertencia a uma equipa.

Concordando-se ou não, entendemos, que cada equipa deve lidar o seu touro, não desvirtuando este grande espectáculo, que prestigia não só a Raia, mas também uma grande região, necessitada de algum movimento, contribuindo este Festival, para angariar alguma notoriedade às terras de Riba-Côa, atraindo, cada vez mais, inúmeros visitantes, tal é a sua fama e valor, aumentando a convivência entre todos os aficionados da Capeia com Forcão.

Também em opiniões emitidas anteriormente, pensamos que seria, porventura, um pouco mais benéfico a presença de representantes do Forcão de cada uma das equipas, em algumas reuniões, enriquecendo o leque de sugestões, correspondendo a um anseio, já aventado por muitos arraianos, de maneira a melhorar, cada vez mais, este Festival do Forcão.

 

Esteves Carreirinha

 

 

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